CONHECIMENTO

Cidade inteligente

Cinform / 11 de Abril de 2016

No final do ano passado, participei de uma mesa redonda na Universidade Tiradentes - Unit, durante a realização da Semana de Arquitetura realizada pela instituição de ensino. Fiz uma pequena explanação sobre a cidade ideal, a qual pode ser concebida de várias formas e maneiras, dependendo quase que exclusivamente dos seus desenvolvedores. E nesta semana que se passou, início deste mês de abril de 2016, fui apresentado de forma inusitada à primeira cidade inteligente para população de baixa renda.

Ainda na apresentação da Unit, apresentamos alguns estudos sobre desenvolvimento de comunidades planejadas que estão acontecendo tanto no País, como no mundo. Muitos dos quais, como disse, se enquadram na política e estratégia dos seus desenvolvedores, mas oferecem à cidade e ao cidadão, novas formas de vivenciar o desenvolvimento urbano e imobiliário de um local. Em nossos estudos, aqui em nosso escritório, vimos que são bem comuns às comunidades planejadas, a busca por soluções para a mobilidade e integração urbana. O que será posto em prática na cidade de Coatá, distrito do município de São Gonçalo do Amarante, interior do Ceará. Lá, será erguida a primeira ‘smart city’ social do Brasil.

A nova cidade intitulada como “Croatá Laguna Ecopark” foi idealizada e desenvolvida por empresas estrangeiras, italianas, e em sua concepção, há o esforço de aliar o mais moderno em tecnologia e integração com as necessidades urbanas das comunidades brasileiras. Como descrito em reportagem no site da Green Building Council Brasil (GBC Brasil), uma das inovações e pensamentos dos desenvolvedores serão a identificação do morador ao local. Na matéria, que fazemos questão de citar um trecho impactante, foi citado que “em vez de morar em um bairro anônimo do subúrbio, o habitante estará imerso num sistema social integrado, com sinal wi-fi liberado, aplicativos específicos para serviços de transporte alternativo, compartilhamento de bicicletas e motos, pagamentos via smartphone, além de reaproveitamento das águas residuais, controle computadorizado da iluminação pública e praças dotadas de equipamentos esportivos que geram energia.”

O conteúdo completo poderá ser consultado no sítio eletrônico: gbcbrasil.org.br. Com a primeira fase prevista para 2016, o empreendimento surge como uma grande promessa de inovação aos modelos tradicionais de desenvolvimento das comunidades planejadas, especialmente quanto ao padrão do empreendimento, visto que não havia essa preocupação quando se tratava de empreendimentos populares. Juntamente com toda sua inovação, a comunidade da ‘smart city’, trará com suas edificações e ideologia uma nova vertente para o mercado imobiliário, não apenas porque se torna exemplo de modernidade, como poderá despertar no mercado nacional a busca por soluções tão inovadoras quanto. Aliando o planejamento urbano e sua organização, arquitetura além das regras tradicionais do mercado quanto à habitação social, mobilidade integrada e inteligente, vida comunitária na prática e energia limpa.

Bom, queria dar um tempo nos assuntos mais tradicionais do nosso mercado imobiliário, já que as últimas novidades não vêm sendo tão boas, se é que temos novidades, e trazer ao nosso leitor a expectativa de que se pensarmos fora do tradicional, e acreditarmos nos conceitos inovadores tão presentes na dinâmica de nossas vidas, podemos e temos de evoluir nossos empreendimentos, exigindo dos desenvolvedores imobiliários algo a mais, produtos diferenciados e preocupados com as cidades. Agora, não esquecendo de frisar que também temos de cobrar das nossas instituições o desenvolvimento de leis mais integradoras e não impeditivas. E ainda, leis que possam incentivar o desenvolvimento, e não, regredir a evolução do mercado.

José Expedito de Souza Júnior
NOVA SERGIPE, Urbanismo para Negócios
Arquiteto e Urbanista
CAU - RN: A39243-0

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